BLOG

Blog

Fiquei por dentro das novidades

Pintura descascando no carro: pode ser falha de fábrica?

desplacamento de pintura automotiva, falha na pintura de fábrica, perícia veicular pintura, laudo pintura automotiva

A pintura começa a soltar.

Primeiro aparece uma pequena área. Depois o problema avança para outras partes da carroceria.

E surge uma dúvida importante:

isso é apenas desgaste ou existe uma falha no sistema de pintura do veículo?

Quando há desplacamento em diferentes painéis, principalmente em áreas apontadas como pintura original, não é adequado concluir a causa apenas olhando fotografias.

É preciso investigar.

Sem achismo. Com laudo.

O que é o desplacamento da pintura automotiva?

A pintura de um veículo não é formada apenas pela camada de cor que enxergamos.

Existe um sistema composto por diferentes materiais e etapas de preparação da superfície. Para que essas camadas permaneçam aderidas à carroceria, cada fase precisa ser executada de forma compatível com o processo utilizado.

Quando ocorre perda de aderência entre essas camadas, partes do revestimento podem começar a se desprender.

É o chamado desplacamento.

Nas imagens deste caso, por exemplo, é possível observar áreas extensas em que o revestimento se desprendeu da superfície.

Isso demonstra a existência de uma falha no revestimento.

Mas somente a fotografia não permite afirmar tecnicamente qual foi a causa.


O que pode provocar a pintura a se soltar?

Existem diferentes hipóteses técnicas.

Problemas na preparação da superfície, contaminação antes da aplicação, falha de aderência entre camadas, aplicação inadequada de produtos, incompatibilidade entre materiais, problemas de cura, reparos anteriores e exposição ao longo do tempo podem produzir sintomas semelhantes.

Por isso, encontrar uma região descascando não significa automaticamente que exista um defeito de fabricação.

Também não significa automaticamente que seja resultado de um reparo posterior.

É justamente aí que entra a perícia.


Como saber se a pintura ainda é original?

Esse é um dos pontos mais importantes da investigação.

Se a discussão envolve uma possível falha de fábrica, primeiro é necessário verificar se as áreas analisadas apresentam características compatíveis com o revestimento original ou se existem sinais de intervenção posterior.

Uma perícia veicular pode combinar diferentes elementos para construir essa análise.

Entre eles estão a inspeção visual das peças, comparação entre diferentes painéis, medições de espessura da pintura, identificação de transições de acabamento, sinais de lixamento ou repintura e análise da interface onde ocorreu o desprendimento.

A documentação existente também importa.

Notas fiscais, ordens de serviço, histórico de reparos, fotografias anteriores e registros de manutenção podem ajudar a reconstruir o histórico do veículo.


O medidor de espessura da pintura resolve sozinho?

Não.

O equipamento é muito útil, mas o resultado não deve ser interpretado isoladamente.

Uma medição de espessura pode indicar diferenças entre painéis e ajudar a identificar regiões que merecem investigação mais detalhada.

Mas determinar a origem de uma falha exige relacionar a medição com o aspecto do revestimento, o local do desprendimento, o histórico do veículo e os demais elementos encontrados durante a inspeção.

Equipamento gera dado. A perícia precisa transformar esse dado em análise técnica.


É possível descobrir se houve falha na preparação da pintura?

Em determinados casos, é possível encontrar elementos técnicos compatíveis com falha de preparação ou perda de aderência entre as camadas.

A investigação procura entender onde ocorreu a separação do sistema de pintura.

Se a camada de acabamento se desprende deixando outra camada aderida à carroceria, essa interface pode fornecer informações importantes.

Dependendo da complexidade e do objetivo do trabalho, também pode ser necessário recorrer a exames complementares ou análises laboratoriais.

Por isso, uma conclusão responsável não começa com:

“isso é defeito de fábrica”.

Ela começa com:

o que os vestígios permitem demonstrar?


E quando o problema aparece em várias partes do veículo?

A distribuição da falha também é relevante.

Um problema isolado em apenas uma peça pode ter uma história diferente de um desplacamento semelhante presente em diferentes regiões do automóvel.

Por isso, a perícia deve mapear onde o problema aparece e verificar se existe um padrão.

Se determinadas áreas apresentam o mesmo tipo de desprendimento, características semelhantes da superfície e comportamento compatível do revestimento, esse conjunto pode ajudar na investigação da origem do problema.

A conclusão, porém, deve permanecer limitada ao que realmente puder ser tecnicamente demonstrado.


Um orçamento de funilaria serve como prova?

Um orçamento ou relatório de oficina pode ser um documento importante.

Se um profissional registrou, por exemplo, a expressão “falha na preparação da pintura”, essa informação deve ser considerada durante a análise.

Mas existe uma diferença entre uma observação feita para orçamento de reparo e uma perícia produzida especificamente para investigar a causa de uma falha.

Para uma discussão técnica ou judicial, é importante que a conclusão explique como foi obtida.

Não basta escrever que existe uma falha.

É necessário demonstrar os elementos que sustentam essa conclusão.


Quero entrar com uma ação contra a montadora. A perícia deve ser feita antes?

Quando existe a possibilidade de uma discussão judicial, preservar o estado atual do veículo pode ser muito importante.

Repintar as peças antes de documentar tecnicamente o problema pode eliminar ou alterar vestígios que seriam úteis para a investigação.

Por isso, antes de autorizar o reparo, vale avaliar a necessidade de uma inspeção técnica.

A estratégia jurídica deve ser definida pelo advogado.

A engenharia entra para responder outra pergunta:

o que o veículo tecnicamente demonstra?


É possível emitir laudo com ART?

Quando aplicável ao serviço, dentro das atribuições do profissional responsável e conforme o escopo contratado, o trabalho de engenharia pode ser formalizado com a correspondente responsabilidade técnica perante o sistema CONFEA/CREA.

O escopo precisa ser definido antes.

Uma análise pode envolver somente inspeção e documentação, enquanto outro caso pode exigir medições específicas, pesquisa documental ou exames complementares.

É por isso que o valor de uma perícia desse tipo não deveria ser definido apenas pela quantidade de peças descascando.

Primeiro é necessário entender o que precisa ser comprovado.


O que enviar para uma avaliação inicial?

Para um caso como esse, o ideal é encaminhar fotos gerais e aproximadas das áreas afetadas, modelo e ano do veículo, informação sobre eventuais colisões ou repinturas anteriores, orçamento ou relatório da oficina e documentos relacionados aos reparos já realizados.

Com esses elementos é possível avaliar melhor qual seria o escopo da inspeção.


Antes de repintar, documente

Se a pintura está se desprendendo e existe dúvida sobre a origem do problema, simplesmente pintar novamente pode resolver a aparência.

Mas também pode eliminar parte da evidência necessária para entender por que aquilo aconteceu.

Quando essa resposta pode influenciar uma negociação, uma reclamação ou um processo judicial, a decisão deve vir depois da análise técnica.

Antes de decidir, pericie.

Sem achismo. Com laudo.

Seu veículo apresenta descascamento ou desplacamento da pintura?

Envie as fotos, o modelo do veículo e os documentos disponíveis para a Engera avaliar o caso e definir o escopo técnico possível.